Liderança e Inovação em Saúde

Em um artigo recente, “Procuram-se líderes”, o médico Claudio Lottenberg fala da importância da formação de lideranças no setor de Saúde. Duas características apontadas pelo presidente do UnitedHealth Group se destacam: Resiliência e Criatividade. Aproveitamos este artigo oportuno para compartilhar um case de Desenvolvimento de Lideranças na área Hospitalar, que apontou diversos caminhos para outras empresas de Saúde. O Programa foi realizado recentemente pela BWint – Business with Intelligence em um dos maiores complexos hospitalares do Brasil e teve como foco essas duas competências.

O Programa, desenhado junto com a direção do cliente, apresentou alguns desafios importantes no planejamento. Em primeiro lugar, para o desenvolvimento de lideranças de Saúde, é importante realizar as atividades em um local diferente do cotidiano hospitalar. Muitas das soluções criativas decorrem de se fazer uma descompressão do ambiente cotidiano dos profissionais. Além disso, um ambiente diferente também evita que se recorram a soluções normalmente empregadas na estrutura administrativa, como a utilização da hierarquia e a delegação de poderes. Nas atividades de desenvolvimento de lideranças, é importante que estas soluções fáceis e imediatas não estejam disponíveis.

Outro ponto importante está na utilização de técnicas criativas. Como Claudio Lottenberg mostra em seu artigo, muitas instituições de ensino do exterior recorrem às ciências humanas para estimular a criatividade e inovação. O grande risco de apenas incorporar este repertório de conhecimento, é desenvolver um treinamento muito abstrato, sem aplicação prática. No caso da BWint, foi empregada a metodologia do Design Thinking, customizada para o cliente, com foco na tomada de decisão. Desta forma, um debriefing dirigido (devolutiva) permite que os próprios líderes participantes falem sobre a aplicação dos conceitos e ferramentas na prática profissional.

Um diferencial importante está no foco para a resiliência. É importante simular situações que exijam autocontrole e inteligência emocional para tomada de decisão em ambiente de incerteza. Estas simulações são fundamentais para desenvolver competências como gestão de equipes de alta performance, team building, comunicação eficiente e gerência de lideranças situacionais. No debriefing, essas competências são focadas pelos facilitadores do treinamento para que os participantes reflitam sobre habilidades pessoais ligadas à resiliência e possam se aprimorar a partir do que vivenciaram nas atividades.

Um ponto importante é a mescla entre competição e cooperação, analisada no livro “Co-opetição”, de Barry Nalebuff e Adam Brandenburguer (Rocco), editado em português por um dos sócios da BWint. O treinamento deve se equilibrar entre ambos. A competição individual e por equipes estimula a busca por resultados e aumenta a pressão para a realização das atividades. Por sua vez, a cooperação fortalece o espírito de equipe e as negociações ganha-ganha. A diretoria do cliente avaliou este ponto como um dos mais importantes e difíceis de se realizar.

O feedback final mostrou que as lideranças passaram a perceber, de maneira mais clara, as variáveis de gestão de equipes e as competências pessoais e gerencias dentro dos processos de Saúde — o que geralmente é pouco estudado nos cursos superiores da área. O Design Thinking permitiu que várias soluções fossem encontradas para problemas rotineiros do Hospital. E a resiliência foi avaliada pela forma como diversos conflitos foram administrados pelos participantes.