Técnicas de Escuta Ativa: como praticar a “escutatória”

 

“Sempre vejo anunciados cursos de Oratória. Nunca vi anunciarem cursos de ‘Escutatória’”. A frase do escritor Rubem Alves (1933-2014) revela o que muitas pessoas já sabem: todo mundo quer falar, ninguém quer escutar.

No ambiente empresarial, a escuta se mostra cada vez mais necessária, por uma série de fatores. O aumento do número de processos interfuncionais é um deles. A integração entre áreas de conhecimento torna necessário que lideranças de um setor entendam não apenas o ponto de vista de outros profissionais, mas também a lógica das outras áreas de especialização. Engenheiros na produção precisam saber escutar os psicólogos do RH (e vice-versa). Psicólogos precisam escutar os advogados. Advogados precisam escutar os publicitários. Publicitários escutar os contadores – e assim por diante.

Necessidade de escuta

Outra razão está no acelerado ritmo de mudanças tecnológicas. Os mais experientes precisam escutar os jovens para se atualizar. Os mais novos precisam escutar os mais experientes para contextualizar a tecnologia com as estratégias da organização.

Mudanças culturais também são importantes. Antes, eram toleradas práticas que, atualmente, chamamos de bullying ou assédio moral. Hoje as empresas líderes buscam a diversidade. E quanto mais diverso for o ambiente corporativo, maior a necessidade de escutar o outro.

Tudo isso vai, inclusive, para além das fronteiras da empresa. A diversidade, as tecnologias e as especializações também estão presentes nos clientes, parceiros e fornecedores.

Como praticar a “escutatória”

Listamos três ações para quem deseja praticar a escuta ativa, desenvolvidas por pesquisas da consultoria BWint e testadas e validados nos programas de capacitação junto a clientes de diversas áreas:

  1. Faça silêncio e mantenha o autocontrole – O impulso para falar e interromper é quase universal. É preciso treino para manter o autocontrole, ainda mais quando alguém se vê diante de opiniões e pontos-de-vista contrários. São úteis recursos como respirar fundo, contar até 10, até mesmo entoar mentalmente uma música, mantra ou oração.
  2. Pense nos porquês – Uma das melhores maneiras de manter o foco é pensar racionalmente no que a outra pessoa fala. Em vez de pensar em uma resposta imediata, procure descobrir as razões, os motivos e os porquês do discurso. Além de manter o autocontrole, você estará fundamentando e qualificando seus argumentos.
  3. Anote – Poucas pessoas sabem da importância de um papel e caneta. Além de ajudar nos argumentos, desenhando ou criando esquemas na hora, o papel é um grande suporte para a escuta. Ao se anotar, o lado racional ganha mais força e o lado impulsivo fica sob controle. Escrever também ajuda a estruturar a resposta e a não se perder na fala do outro. Muitas pessoas são prolixas e pouco objetivas, o que torna mais importante ainda manter o foco no que se vai dizer.